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Continue lendo →: caldinho
desce abaixoquentinhoa colher entra e sai,água na bocatemperinhos descem pela goelaverdurinhas,sem chororôqueimaduras,sem angústiasfebril, acabando tão depressaminha garganta doloridadoía, doía, doíaflutuam sentidos, que maravilha…caldinho milagrosome esquentouaté o ossosuando,em chamas caldo de peixe me curousobrou as cuias em lamentos
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Continue lendo →: amazona, submundo
de guerreira a deusa do caosdo caos que semeou a batalhaela cantaaplaude em som da batucadade um pequeno mundo abaixo da terraimplantado para a feminilidade oprimidaa dor plantou sementes, e de sementes se tornaram ira!o estrondoso passo das anciãs soae o baixo torna-se altarelas gritam elevando Amazona!canta a mãe do…
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Continue lendo →: bolha de sonhos
esfarelando areia nos olhos,lembrei das caçadas no mapa dos astros, conteiquantas bolhas de água respiravamperdendo a conta,fui atrás de respostasenergia mística,me mostreos livros surgiramsem pautas e palavrasas cartas não tinhamletras à mão nada alinhava minha lua-almanada trilhava meu labirinto-coração esfarelou os sonhos,areias de infânciaas imagens formarammedonhos refletidosem grandes crianças
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Continue lendo →: áster
tá doendo, ele puxou de novo um fiode cabelo pra que eu ficasse quietapassei os dedos da minha mão adulta entremeus cabelinhos, tá doendo quanto?tá doendo o mundo, minha voz melindrosasussurrou criancinha, pequenininhao mundo doeu, doeu, por tantosque sinto ele até hoje nos fios arrancadosdo meu cabelo que nunca mais…
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Continue lendo →: a conquista de vida dos balões
Já soube da vida dos balões quando eles chegam na fase de ascender? É uma conquista entre eles. É o ciclo da vida dos balões, na verdade. Nascem, preenchem-se e flutuam. No entanto, aquele balãozinho não se enchia por nada. Toda vez que o enchiam de ar, ele se sentia…
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Continue lendo →: marquinha de choro
— eu tô com uma marquinha feia na testa. — cadê? — fiz franja por isso. — deixa eu ver. ela levantou a franja e mostrou a testa. — ah, a marquinha de choro. — quê? — marquinha de choro. — ela tocou na testa com carinho. — é, acho…
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Continue lendo →: em noites silenciosas, eu não penso demais
Está chegando a falta de barulho nas casas É mádrugada jogando seus carmas Aqueles que passam o dia em movimento Cercando-se de afazeres Sozinhos com eles neste momento Você está pensando E é prisioneiro deles e de si mesmo Você está pensando sobre as coisas Se eu tivesse amigos, eles…
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Continue lendo →: inundados
dentro das minhas estrelas no aquário penso em fazer amor, olhando em espirais de peixes que se afogam como se faz amor quando se procura por ele? o vento lá fora cantava,dentro de mim ardia em dúvida mas dentro desse imenso vidro quenos separa em transparência é tão difícil imaginar…
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Continue lendo →: o ar
que queima, queima sopro que ruboriza ventríloquo que arde, arde o vento que distante se esvai, elevado, uivante que atrai destoante provocante, que brilha de inspirar flamas e faíscas nos astros de nossas pequenas e distantes constelações de jornais
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Continue lendo →: uma conversinha de nada que dá adeus às relações com um “até logo”
Era uma terça-feira meio abafada, por volta das 17h20. O céu limpo, com aquele tom meio rosa começando a aparecer. Normalmente eu não teria prestado atenção, mas ela prestaria quando chegasse. Olho em minha volta pra procurá-la agora que lembrei dela. Sentada no banco, de frente pro Teatro Amazonas, o…
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Continue lendo →: uma conversa boba sobre falta de afetos serem gripes de baixa imunidade
— é verdade que tu tava doente? — é, fiquei de cama e tudo. — e tava doente de quê? — era um resfriado só. — pegou como? silêncio. — pegou como? — repetiu ao perceber que a pessoa se perdeu nos pensamentos. — ah, como peguei? — é. —…
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Continue lendo →: por mim, tudo bem
eu sei a sua comida favoritatambém sei das coisas que você não gostae sei sobre as coisas que você não fala,mas posso senti-las e entender que vocêage de acordo como foi tratado quando criança e por mim, tudo bemporque eu sei que somos crianças grandese eu tratei você como queria…