Devagarinho, acelerado.
No meio de um trem cheio de nada
O vagão se preenchia de multidões vazias,
Se esvaziava de ninguém preenchido.
O tempo continuava,
mas não andava em frente.
O tempo parava,
mas prosseguia para trás.
Os vagões chegavam às suas estações,
mas não paravam em suas linhas.
No horário de entrada, ele saía.
No horário da saída, ele entrava.
Ouviam-se passos silenciosos,
mas também sussurros barulhentos.
A claridade após os túneis não existia,
Quando atravessava a luz do sol,
a noite chegava.
Aqueles rostos familiares eram desconhecidos, mas aquelas pessoas dos vagões vazios
eram de casa.
Como uma casa quentinha,
saíam sem olhar para trás.
Como uma noite que se passa em um hotel qualquer,
viravam para se despedir até dos sofás.
E o tempo não parava, mas também não seguia em frente.
Ninguém sentia nada, mas as lágrimas transbordavam em suas bochechas quentes.
As pessoas não se olhavam,
Mas se cumprimentavam como velhas amigas.
As pessoas se importavam,
Mas não paravam para olhar multidões perdidas.
As pessoas lamentavam,
Mas não o suficiente para gritar por liberdade.
As pessoas eram livres,
Mas não o suficiente para se soltarem de suas amarras.
As pessoas eram destinadas a seguir em seus vagões vazios de dúvidas, mas cheios de ignorância.
Deixe um comentário